Agora que estão passadas as Eleições Europeias e que ainda faltam uns meses para Legislativas e Autárquicas, sinto-me à vontade para falar numa espécie de teoria preconizada por muitos eleitores que se dão ao trabalho de exercer o seu direito de voto.
Desta forma, não venho aqui defender que se vote em A, B ou C, quero apenas pôr em causa a frágil estrutura desta ideia enraizada na nossa sociedade.
Ora então, quando falo com amigos, conhecidos ou, até, estranhos sobre eleições, especialmente no que às Legislativas diz respeito, por vezes confidencio as minhas intenções de voto e oiço também as intenções das outras pessoas. Muitas e muitas me dizem que votam em quem possa derrubar o Governo (sim, porque em Portugal vota-se para derrubar algo e não para tentar eleger os que achamos melhores), ao que eu respondo que é muito vago, tentando perceber em que partido em concreto irão votar, se assim não se importarem de me o dizer. E é nesse preciso momento que surge a hilária teoria: vota-se num partido que possa ganhar, como se estivesse escrito algures que entre “x” partidos, apenas 2 podem ganhar. Ou seja, as pessoas olham para as sondagens e vêm quais os dois partidos que aparecem na frente (PS e PSD) e depois basta escolher o que está na oposição, para castigar o Governo.
Bem, eu concordo que se as pessoas consideram que o Governo está a fazer um mau trabalho, então devem de procurar alternativas. O problema aqui é que não há procura nenhuma: entendem que a única forma de trocar de governação é votar no partido da oposição que aparece melhor nas sondagens – dizem-me que apenas esse pode “roubar” votos ao PS ou PSD, conforme quem está na altura no Poder. Se isto é verdade deixo aqui uma sugestão: coloque-se no boletim de voto apenas PS e PSD, para não cansar a vista aos eleitores!
Mas esses eleitores que conseguem teorizar tão brilhante raciocínio, não são capazes de perceber que passados quatro anos estão a votar nos mesmos que querem derrubar no Presente. E assim sucessivamente. Sim, porque se vão mudando as caras dos Primeiros-Ministros, boa parte dos deputados continua na Assembleia e muitos membros de ex-Governos voltam à Governação.
Continua a fazer sentido o voto útil? Vamos lá, mais um esforço então se existe alguém que ainda não possa compreender: não faz sentido oferecer-mos uma maioria absoluta a alguém que também já deu provas de incompetência na função, mesmo que acreditemos que só se pode governar com maioria absoluta. O que será pior: não ter maioria absoluta - que é um horror para muita gente, mas não para mim -, ou ter uma maioria absoluta incompetente e desinteressada dos reais problemas do País e dos seus cidadãos?
O sistema está pútrido há muito e não percebo como se pode defender que continuemos a entregar o nosso voto a esse tipo de gente. Senão, relembro-vos aqui dois tristes episódios que são bons exemplos daquilo que esses senhores fazem pela Assembleia da República:
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
E viva “o todos ao molhe e fé em deus”!!!
Não é que a barbaridade que o Vítor Constâncio disse esta correcta!
Não que se mandassem a n juristas, teriam n respostas sobre as obrigações associadas a lei, mas em sitio algum se diz que o B.P. tem como objectivo a procura de fraudes e a auditoria das instituições a supervisão sujeitas.
SECÇÃO III
Exercício da supervisão
Artigo 17.º
Compete ao Banco exercer a supervisão das instituições de crédito,
sociedades financeiras e outras entidades que lhe estejam legalmente
sujeitas, nomeadamente estabelecendo directivas para a sua actuação e para
assegurar os serviços de centralização de riscos de crédito, nos termos da
legislação que rege a supervisão financeira.
A “supervisão providencial” vigiar a aplicação das directivas feitas pelo B.P. para assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro português.
Ok, a politica monetária é feita no BCE!
A supervisão não tem como finalidade o controlo das actividades dos bancos, mas sim ver se eles estão a respeitar n parâmetros e a ter uma actuação espectável (mas sem haver um controlo real da segunda), havendo total liberdade até a casa começar a cair.
Mais as publicações e feitura de estatísticas e calculo de indicadores económicos.
Este é o trabalho do B.P.!
Então quem é que esta exercer verdadeira supervisão ao sistema financeiro português a PJ? Deve ter uns meios de luxo para o fazer!
A autoridade da concorrência? (seria uma boa piada se não fosse a gravidade das consequências associada a sua inoperância, mas mesmo que funcione entrava nos tribunais! Mas pelo menos existe, já é alguma coisa em comparação a outras áreas onde nem o esboço de mecanismos de controlo existem).
Não são os auditores!
Empresas de auditoria privadas, com o objectivo de ter lucros! Podendo pequenas empresas fazer a auditoria de uma empresa da complexidade de um banco, o que esperavam?
“Que a natural bondade do ser humano viesse ao de cima”
Sempre pensei que com o euro a principal actividade do B.P. “fosse exercer a supervisão das instituições de crédito, sociedades financeiras e outras entidades que lhe estejam legalmente sujeitas”.
Em Portugal o pensamento lógico é um mau estimador!
Não é o único, mas tal não trás satisfaçam nenhuma, compreender que o tamanho do cancro da sociedade portuguesa, se esta a tornar tão grande que os ganhos de Abril podem ir por águas mil!
Não que se mandassem a n juristas, teriam n respostas sobre as obrigações associadas a lei, mas em sitio algum se diz que o B.P. tem como objectivo a procura de fraudes e a auditoria das instituições a supervisão sujeitas.
SECÇÃO III
Exercício da supervisão
Artigo 17.º
Compete ao Banco exercer a supervisão das instituições de crédito,
sociedades financeiras e outras entidades que lhe estejam legalmente
sujeitas, nomeadamente estabelecendo directivas para a sua actuação e para
assegurar os serviços de centralização de riscos de crédito, nos termos da
legislação que rege a supervisão financeira.
A “supervisão providencial” vigiar a aplicação das directivas feitas pelo B.P. para assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro português.
Ok, a politica monetária é feita no BCE!
A supervisão não tem como finalidade o controlo das actividades dos bancos, mas sim ver se eles estão a respeitar n parâmetros e a ter uma actuação espectável (mas sem haver um controlo real da segunda), havendo total liberdade até a casa começar a cair.
Mais as publicações e feitura de estatísticas e calculo de indicadores económicos.
Este é o trabalho do B.P.!
Então quem é que esta exercer verdadeira supervisão ao sistema financeiro português a PJ? Deve ter uns meios de luxo para o fazer!
A autoridade da concorrência? (seria uma boa piada se não fosse a gravidade das consequências associada a sua inoperância, mas mesmo que funcione entrava nos tribunais! Mas pelo menos existe, já é alguma coisa em comparação a outras áreas onde nem o esboço de mecanismos de controlo existem).
Não são os auditores!
Empresas de auditoria privadas, com o objectivo de ter lucros! Podendo pequenas empresas fazer a auditoria de uma empresa da complexidade de um banco, o que esperavam?
“Que a natural bondade do ser humano viesse ao de cima”
Sempre pensei que com o euro a principal actividade do B.P. “fosse exercer a supervisão das instituições de crédito, sociedades financeiras e outras entidades que lhe estejam legalmente sujeitas”.
Em Portugal o pensamento lógico é um mau estimador!
Não é o único, mas tal não trás satisfaçam nenhuma, compreender que o tamanho do cancro da sociedade portuguesa, se esta a tornar tão grande que os ganhos de Abril podem ir por águas mil!
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Pausa pessoal
Caros leitores,
Venho apresentar as minhas desculpas pela pouca frequência com que tenho apresentado novos textos. Lamento informar que assim continuará a ser nas próximas semanas. Outros tipos de tarefas chamam por mim!
Deixo-vos assim por uns tempos, mas não de «mãos a abanar»!
Mesmo que não gostem do tipo de música, são capazes de achar piada à letra:
(Atenção: não me responsabilizo, obviamente, pelas imagens apresentadas. A música não tem video clip oficial. Apenas vos quero apresentar a letra.)
Venho apresentar as minhas desculpas pela pouca frequência com que tenho apresentado novos textos. Lamento informar que assim continuará a ser nas próximas semanas. Outros tipos de tarefas chamam por mim!
Deixo-vos assim por uns tempos, mas não de «mãos a abanar»!
Mesmo que não gostem do tipo de música, são capazes de achar piada à letra:
(Atenção: não me responsabilizo, obviamente, pelas imagens apresentadas. A música não tem video clip oficial. Apenas vos quero apresentar a letra.)
Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Brincar aos políticos

Eram para ser 25 mas ficaram reduzidas a 3 as beldades da lista para as eleições europeias do PDL de Berlusconi. Consta que o que tinham em comum eram mesmo só as formas divinais, em vez de currículos fortes para representar a Itália no Parlamento Europeu e, mais do que isso, para fazerem parte de um dos mais importantes órgãos de decisão para a vida de todos os cidadãos da UE.
Não se sabe se por pressão da esposa ou da imprensa, o habilidoso e incontroverso Primeiro-ministro italiano fez reduzir drasticamente o número de candidatas com aquelas características. Antes de voltar atrás com a lista paradisíaca, mas pouco preparada para o desafio, Berlusconi justificava-se: "Queremos renovar a nossa classe política com pessoas cultas, bem preparadas e empenhadas em participar em cada votação, ao contrário das pessoas mal cheirosas e mal vestidas que representam outros partidos no Parlamento e dão má imagem da Itália."
A pergunta que fica é: Berlusconi dá boa imagem a Itália e à UE?!
Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
Devo ser eu que não percebo
Acabei de ler uma notícia no sítio do Público sobre a denúncia de uma funcionária da Loja do Cidadão de Faro, sobre uma acção de formação que impunha um determinado dress code. Em concreto, as instruções fornecidas na formação promovida pela Agência de Modernização Administrativa apontavam no sentido da proibição de uso de decotes exagerados, perfumes agressivos e gangas, segundo uma vogal do Conselho Directivo dessa agência. Já a funcionária afirma que também fazia parte das instruções a proibição de saltos altos, roupa interior escura e saias curtas.
Quem diz a verdade não sabemos, mas visto que a referida vogal veio dar esta informação após confrontada com o caso, as regras que existirão daqui para a frente serão apenas as três primeiras.
Assim eu questiono: se é usual no sector privado existir um dress code, porque é que não pode existir no sector público? Este tipo de conduta no sector privado é sinónimo de competência e profissionalismo. Não é isso que queremos quando somos atendidos no público?
E não se trata de machismo: tanto homens como mulheres devem ter uma vestimenta condizente com as expectativas dos clientes/utentes/contribuintes, dos colegas de trabalho e dos seus superiores hierárquicos.
Se estou enganado, por favor corrijam-me.
Quem diz a verdade não sabemos, mas visto que a referida vogal veio dar esta informação após confrontada com o caso, as regras que existirão daqui para a frente serão apenas as três primeiras.
Assim eu questiono: se é usual no sector privado existir um dress code, porque é que não pode existir no sector público? Este tipo de conduta no sector privado é sinónimo de competência e profissionalismo. Não é isso que queremos quando somos atendidos no público?
E não se trata de machismo: tanto homens como mulheres devem ter uma vestimenta condizente com as expectativas dos clientes/utentes/contribuintes, dos colegas de trabalho e dos seus superiores hierárquicos.
Se estou enganado, por favor corrijam-me.
Nuclear
Queira ver primeiro o seguinte vídeo e só depois o respectivo comentário:
Antes de mais, repare-se na prepotência americana. Eles podem apontar o dedo a quem quiserem, neste caso no que diz respeito a armas nucleares. Nem discuto se o Irão as tem ou não, presumo que a Mahmoud Ahmadinejad darão jeito, pois é o único trunfo que tem contra o Ocidente. Mas como pode um país detentor de energia nuclear e de um vasto armamento (EUA são o exemplo mais evidente, mas Alemanha, Israel ou Rússia, entre outros, também entram em semelhante saco) acusar seja quem for de ser uma ameaça para a paz mundial? Não dando o exemplo, como alguém os seguirá a bem?
O Irão, ou melhor, quem tem poder no Irão também não quer chegar a um entendimento. Mostrar-se forte contra o Exterior é importante para manter a ordem no Interior, onde há muito a população está descontente, vivendo numa mistura de pobreza e drogas. Os EUA sabem bem disso, mas é importante para a sua estratégia mostrar ao Mundo uma nova cara, a cara de um Obama pacifista e revolucionário. Não sei o que vai na cabeça deste novo Presidente, mas sei que tanto os poderes americanos, como os iranianos e como os restantes envolvidos estão apenas num jogo de aparências que promete romper a qualquer momento.
Mas pretendo aqui ir ainda um pouco mais longe. É horrível que existam governos a «investir» - para mim o termo investir só deveria ser usado quando existisse um benefício a ser alcançado - em armas nucleares, mas não deixa de ser perigoso a via nuclear para produzir energia. Tanto num como noutro caso, quando parece estar tudo controlado, pode acontecer um acidente. Porque acidentes acontecem e são assim mesmo: imprevisíveis, embora uns mais que outros. Será que continuamos sem aprender com a História?
Com tantas energias alternativas já conhecidas e tantas por descobrir, continuamos a apostar nas mais potentes, sempre pensando que os danos colaterais nunca existirão.
Antes de mais, repare-se na prepotência americana. Eles podem apontar o dedo a quem quiserem, neste caso no que diz respeito a armas nucleares. Nem discuto se o Irão as tem ou não, presumo que a Mahmoud Ahmadinejad darão jeito, pois é o único trunfo que tem contra o Ocidente. Mas como pode um país detentor de energia nuclear e de um vasto armamento (EUA são o exemplo mais evidente, mas Alemanha, Israel ou Rússia, entre outros, também entram em semelhante saco) acusar seja quem for de ser uma ameaça para a paz mundial? Não dando o exemplo, como alguém os seguirá a bem?
O Irão, ou melhor, quem tem poder no Irão também não quer chegar a um entendimento. Mostrar-se forte contra o Exterior é importante para manter a ordem no Interior, onde há muito a população está descontente, vivendo numa mistura de pobreza e drogas. Os EUA sabem bem disso, mas é importante para a sua estratégia mostrar ao Mundo uma nova cara, a cara de um Obama pacifista e revolucionário. Não sei o que vai na cabeça deste novo Presidente, mas sei que tanto os poderes americanos, como os iranianos e como os restantes envolvidos estão apenas num jogo de aparências que promete romper a qualquer momento.
Mas pretendo aqui ir ainda um pouco mais longe. É horrível que existam governos a «investir» - para mim o termo investir só deveria ser usado quando existisse um benefício a ser alcançado - em armas nucleares, mas não deixa de ser perigoso a via nuclear para produzir energia. Tanto num como noutro caso, quando parece estar tudo controlado, pode acontecer um acidente. Porque acidentes acontecem e são assim mesmo: imprevisíveis, embora uns mais que outros. Será que continuamos sem aprender com a História?
Com tantas energias alternativas já conhecidas e tantas por descobrir, continuamos a apostar nas mais potentes, sempre pensando que os danos colaterais nunca existirão.
Domingo, 5 de Abril de 2009
Peço censura
Sou da opinião que liberdade de pensamento não só é óptimo na televisão, como se deve fazer tudo para que seja sempre garantida. Em vários posts que aqui apresentei dei a perceber o meu descontentamento com a falta de isenção da Comunicação Social no nosso país, não permitindo essa tal liberdade aos telespectadores.
Contudo, hoje venho pedir censura. Mas não uma censura qualquer, desmedida ou intimidadora. Invoco hoje a censura por motivos de saúde mental e física dos cidadãos, sobretudo das crianças.
O motivo da minha preocupação é um anúncio publicitário da Coca-Cola que foi recentemente introduzido na TV. Reflecti sobre a exposição ou não desse vídeo aqui no blogue, pois não estava com muita vontade de fazer publicidade a tal empresa (recorde-se o leitor que até a má publicidade pode ser "boa" na familiarização dos consumidores com o produto). Porém, considero que os leitores deste blogue são maiores e vacinados e como tal, podem ver aqui o anúncio.
Como a Coca-Cola nos quer fazer querer, podemos levar a vida inteira a beber tal produto que vamos chegar a velhinhos. Já anteriormente tinha passado pela televisão nacional outro anúncio desta empresa em que associava jovens, desporto e Coca-Cola como um triângulo perfeito. Isto é um atentado à saúde infantil, assim como o é o IVA de 5% sobre estes produtos. Alguém me sabe dizer em que medida esta bebida é saudável?
Daqui por 30 anos, quando a esperança média de vida reduzir drasticamente graças aos péssimos hábitos alimentares destas gerações sujeitas a um marketing agressivo e sem regulação, vão dizer que não percebem como a saúde pública chegou àquele ponto. Bem, a mim parece-me bem evidente: os pais não se preocupam em educar, as entidades públicas não se interessam por regulação e aos donos dessas empresas apenas interessa o lucro (ponho-os no mesmo patamar das tabaqueiras).
E as crianças continuam a engordar, agarradas à consola, comendo hambúrgueres e bebendo refrigerantes...
Nota: não encontrei a versão portuguesa do anúncio, mas esta também não será de compreensão complexa.
Contudo, hoje venho pedir censura. Mas não uma censura qualquer, desmedida ou intimidadora. Invoco hoje a censura por motivos de saúde mental e física dos cidadãos, sobretudo das crianças.
O motivo da minha preocupação é um anúncio publicitário da Coca-Cola que foi recentemente introduzido na TV. Reflecti sobre a exposição ou não desse vídeo aqui no blogue, pois não estava com muita vontade de fazer publicidade a tal empresa (recorde-se o leitor que até a má publicidade pode ser "boa" na familiarização dos consumidores com o produto). Porém, considero que os leitores deste blogue são maiores e vacinados e como tal, podem ver aqui o anúncio.
Como a Coca-Cola nos quer fazer querer, podemos levar a vida inteira a beber tal produto que vamos chegar a velhinhos. Já anteriormente tinha passado pela televisão nacional outro anúncio desta empresa em que associava jovens, desporto e Coca-Cola como um triângulo perfeito. Isto é um atentado à saúde infantil, assim como o é o IVA de 5% sobre estes produtos. Alguém me sabe dizer em que medida esta bebida é saudável?
Daqui por 30 anos, quando a esperança média de vida reduzir drasticamente graças aos péssimos hábitos alimentares destas gerações sujeitas a um marketing agressivo e sem regulação, vão dizer que não percebem como a saúde pública chegou àquele ponto. Bem, a mim parece-me bem evidente: os pais não se preocupam em educar, as entidades públicas não se interessam por regulação e aos donos dessas empresas apenas interessa o lucro (ponho-os no mesmo patamar das tabaqueiras).
E as crianças continuam a engordar, agarradas à consola, comendo hambúrgueres e bebendo refrigerantes...
Nota: não encontrei a versão portuguesa do anúncio, mas esta também não será de compreensão complexa.
Sábado, 14 de Março de 2009
Libertar

Caros leitores,
Este post poder-vos-à parecer agressivo e contra a corrente da "democracia" a que nos habituámos. Se após o lerem pensarem da seguinte forma, então terei atingido o meu objectivo: mexer contra ideias perversas instaladas, mesmo que estejam ligadas ao subconsciente. Caso aquilo que abaixo escrevo não vos seja nada estranho, melhor ainda: já reflectiram sobre o assunto e consideraram hipóteses. Poderá certamente haver um terceiro tipo de leitores que não estes já descritos. Se for esse o seu caso, será com todo o gosto que receberei o seu comentário, se assim o desejar fazer.
Já agora, lamento a excessiva extensão do texto, mas o assunto assume tanta importância que necessitei de ilustrar um pouco mais do que o costume certas opiniões. Caso tenham a coragem de o ler até ao fim, obrigado!
As recentes sondagens anunciadas na Comunicação Social sobre as intenções de voto dos portugueses no que às legislativas diz respeito têm revelado um decréscimo da percentagem socialista. Essa percentagem um pouco abaixo do nível de maioria absoluta é um espanto, tanto para mim como para os jornalistas. Primeiro o espanto destes últimos: fazem com que tais resultados sejam uma novidade, como se existissem sólidos argumentos para defender a governação socialista. Agora o meu espanto: como é que ainda existe uma parcela tão grande de eleitores dispostos a votar em tons rosa?! Quantas (algumas descaradas) suspeitas existem sobre a actuação de Sócrates à margem da lei? Como é que alguém acredita que o TGV entre Lisboa e Porto é útil e urgente? Como ninguém se indigna verdadeiramente com as derrapagens orçamentais das obras públicas? Como é que alguém acha que o processo de negociação com os professores está a ser bem conduzido? Alguém pensa que estão a ser feitos esforços sérios para prevenir a criminalidade? Ninguém acha que a Justiça deve ser completamente reformada?
Poderia continuar com as questões até se esgotar o espaço no blogue. É verdade que existem os militantes socialistas, os ignorantes, os ingénuos e os que procuram o afamado «tacho», porém custa-me acreditar que sejam suficientes para tornar as sondagens em realidade. Será mesmo possível? Ah, certo, esqueci-me de um ponto-chave: a Comunicação Social não é livre e deturpa constantemente a realidade, subjugando assim as mentes menos atentas dos portugueses. Mas ainda assim, é graças a estes factores que o PS consegue uma tão grande percentagem de intenções de voto? Recuso-me a acreditar que existem tão poucos cidadãos com sentido de responsabilidade e inteligência - espero não estar enganado.
Mas não nos fiquemos pelos socialistas. Quem vota nos sociais-democratas ou procura igualmente um «job» ou também deve estar alienado. PSD e PS confundem-se partilhando muitos defeitos e raras virtudes, se é que as há. Os de laranja já estiveram no Governo e demonstraram não estar à altura de Portugal (ou melhor, daquilo que este país deveria ambicionar: crescimento e desenvolvimento económico em sentido claramente convergente com a média comunitária, possibilidades iguais para todos no acesso à Educação, contas públicas equilibradas e transparentes, redução drástica dos níveis de pobreza, etc.). Tal como o PS, não existe neste partido um plano estratégico de Médio/Longo Prazo definido para o País.
Ligeiramente mais à direita, mas cada vez menos, está o partido de Paulo Portas. Estes também não mostraram serviço no Governo e não se conseguem libertar do actual líder. Já antes aqui fiz alusão à fraca distinção entre Portas e o PP.
O irmão mais novo de Miguel Portas é de crítica fácil ao Governo e pouco mais. Felizmente, este parece enganar cada vez menos gente.
Temos também um Partido Comunista ideologicamente falido. Vivem de grandes questões discutidas há cerca de um século. Têm o "dom" da crítica mais fácil e inútil que por cá se vai fazendo, incorporando nas suas fileiras «boys» com «jobs» em autarquias comunistas, desempregados e trabalhadores explorados que vivem em desespero e, ainda, gentes que acreditam em tudo o que é dizer mal de quem tem rendimentos superiores. Quantas propostas viáveis apresentou o PCP durante o mandato de Sócrates? A conversa é sempre a mesma: menos desemprego e aumentos dos salários. Agora explicar como tal pode ser executado de forma racional é que se torna mais complicado...
Agora, aquilo que considero hoje um perigo crescente: aumento de confiança dos portugueses no BE. E considero tal aumento perigoso muito por culpa do seu líder: apesar de ser um economista brilhante e respeitado, com um vasto trabalho realizado na área, é um político tão ou mais desprezível que os de outros partidos presentes na A.R.. Isto porque sendo detentor de um enorme conhecimento sobre Economia, ao contrário de Sócrates, Portas ou Jerónimo de Sousa - mesmo que estes tenham muito bons conselheiros/assessores, num debate com Louçã partem em desvantagem no que diz respeito à vertente económica -, teima em mentir aos portugueses, propondo medidas completamente inviáveis economicamente. Já aqui o tinha referido quando Louçã propôs aumentar a taxa de IRS sobre o escalão mais elevado e poderia ter continuado a «postar» sobre as suas propositadas falácias económicas. Também João Duque há umas poucas semanas o desmascarou através de um artigo de opinião no Diário Económico, quando Louçã «confundiu» capital próprio com passivo no caso BPN e também pelo bloquista ter usado uma metáfora com coelhos e notas (afirmou que duas notas juntas numa caixa não fazem nada, mas um coelho e uma coelha fazem coelhinhos; deliberadamente trocou os conceitos de dinheiro e de capital).
Dizendo autênticas barbaridades em contextos que domina perfeitamente revela apenas uma coisa: caça ao voto pura e dura. O PS sabe que os bloquistas vão ser determinantes para a obtenção ou não da maioria absoluta. Um discurso voltado para a Esquerda tenta estancar a corrente favorável ao BE e sempre de olho no demagogo Manuel Alegre.
Resumindo: temos 4 partidos com mais do mesmo e uma novidade que é o BE, excluindo assim todos os restantes partidos que não têm hipótese de disputar tempo de antena, para prejuízo dos portugueses no que a alternativas diz respeito. Temo que se a tal novidade chegar ao Governo depressa deixa de o ser - pondo assim de parte o por demais negro cenário de serem ainda piores que a governação já existente.
Este é o meu apelo aos leitores, que, é verdade, vale o que vale: no dia das legislativas não fiquem em casa e votem, pois é um direito que outrora não existia. Porém, pensem bem se quiserem votar nestes partidos de que falei. Estes não têm demonstrado honestidade, dignidade e competência nas funções que desempenham. Mais, correndo o risco de ser arrogante, quem quiser defender aqui qualquer um destes partidos que o faça: de maneira pronta quebrarei tal defesa com a certeza que estes não lutam pelo bem da nação e dos seus cidadãos.
Tentem ver para além destes cinco grupos partidários, vejam se existem outras alternativas. O facto de a Comunicação Social se recusar a noticiar propostas de outros partidos menores não significa que essas não possam ter valor. Avaliem vocês próprios e não deixem que ninguém tente ser o vosso cérebro.
Em último caso há sempre o voto em branco, que na minha opinião é uma forma de expressão tão respeitosa como as restantes.
PS: Este post foi elaborado como se inúmeros leitores o fossem apreciar. Porém, fica aqui o fútil (ou não) esforço de contribuir para um Portugal mais sério e capaz.
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